O Banco Central cortou a Selic pela quarta vez consecutiva na última reunião do Copom, levando a taxa básica de juros a 10,25% ao ano. Para os modelos econômicos, o caminho é claro: juros menores, crédito mais barato, consumo e investimento aquecidos.

A realidade é mais complicada.

O spread bancário não cai na mesma velocidade

A Selic é a taxa que o governo paga para tomar dinheiro emprestado. O que você paga no cheque especial ou no cartão de crédito é outra coisa — é a Selic mais o spread bancário, que inclui inadimplência esperada, custos operacionais e margem de lucro dos bancos.

Historicamente, o spread bancário brasileiro é um dos mais altos do mundo. E ele não cai na mesma velocidade que a Selic. Nos últimos 12 meses, a Selic caiu 3,25 pontos percentuais. O spread médio no crédito pessoal caiu 1,8 ponto.

Quem se beneficia primeiro

Os primeiros a sentir a queda dos juros são as empresas de grande porte, que têm acesso ao mercado de capitais e podem emitir debêntures ou CRIs com taxas próximas à Selic. Para o consumidor pessoa física, especialmente aquele que usa crédito rotativo, a melhora é mais lenta.

Dados do Banco Central mostram que a taxa média do cartão de crédito rotativo ainda está em 430% ao ano — praticamente o mesmo nível de 18 meses atrás, quando a Selic estava em 13,75%.

O que esperar para o segundo semestre

O mercado precifica mais dois cortes de 0,25 ponto até o final do ano, o que levaria a Selic a 9,75%. Nesse cenário, o crédito imobiliário e o crédito para pequenas empresas devem se beneficiar de forma mais visível. O crédito ao consumidor deve continuar caro.