A reforma tributária aprovada em 2023 é a maior mudança no sistema de impostos brasileiro em décadas. Mas ela está sendo implementada gradualmente, e muitos empresários ainda não entenderam o que muda — e quando.
Para as pequenas empresas, o cenário é misto. Há simplificações genuínas, mas também armadilhas que podem aumentar a carga tributária de setores específicos.
O que muda em 2027
A partir de 2027, começa a transição para o novo sistema de IVA dual — CBS (federal) e IBS (estadual e municipal). O Simples Nacional, que beneficia empresas com receita anual de até R$ 4,8 milhões, será adaptado ao novo sistema, mas os detalhes ainda estão sendo regulamentados.
A boa notícia: a não-cumulatividade plena do novo IVA deve beneficiar empresas que compram insumos de outras empresas do Simples. Hoje, essas compras não geram crédito tributário. No novo sistema, gerarão.
Os setores que devem pagar mais
Serviços em geral — especialmente os intensivos em mão de obra, como clínicas médicas, escritórios de advocacia e consultórios odontológicos — devem ver sua carga tributária aumentar. Hoje, muitos desses serviços têm alíquotas efetivas baixas pelo Simples. No novo sistema, a alíquota de referência para serviços é mais alta.
O governo prevê um regime de transição de oito anos (2027–2033) para suavizar o impacto. Mas empresas que planejam crescimento devem começar a modelar os cenários agora.